Depressão da mãe e Dermatite Atópica dos filhos podem estar associadas?



A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica de pele caracterizada por coceira, dor, distúrbios do sono, além de ser associada aos distúrbios mentais, incluindo depressão, ansiedade e tendência suicida, mais comuns e mais graves entre as crianças do que em adultos com DA. O sistema imune reage de forma exagerada a qualquer fator externo alergênico, propiciando a coceira intensa e o aparecimento das lesões, mas não se preocupe, a DA não é contagiosa! Nas crianças, as lesões normalmente aparecem após os 6 meses de idade, acometendo as bochechas, que ganham uma coloração mais avermelhada e começam a descamar. Já nos adultos, essas lesões coçam mais e liberam exsudato (liquido inflamatório), principalmente no pescoço, joelhos e cotovelos. A pele fica com um aspecto mais ressecado, pois as células que deveriam estar bem juntinhas para formar uma barreira protetora estão mais afastadas, permitindo a entrada de contaminantes e sendo susceptíveis à vários fatores, como ácaros, fungos, pólen, pelos de animais, etc. Temperaturas extremas ou mudanças bruscas, infecções, alguns alimentos e estresse também são gatilhos importantes para as crises de DA. Pela falta de conhecimento sobre essa doença de pele, os pacientes sofrem preconceito. A dermatite acompanha a pessoa por toda a vida, mas dá para controlar a doença com medidas simples e medicamentos. Alguns estudos, como o recém publicado na revista Dermatitis por pesquisadores do departamento de dermatologia da George Washington University School of Medicine, nos Estados Unidos sugerem que a depressão pós-parto materna está associada ao desenvolvimento de DA ao longo da infância e adolescência dos filhos. Os fatores emocionais e o ambiente familiar podem exacerbar as crises de DA e influenciar todo o percurso da doença. Estima-se que cerca de 70% das mulheres passam ou passarão por algum tipo de “baby blues”, ou algum tipo de melancolia, tristeza e depressão após dar à luz a uma criança. Como as crises de DA são aumentadas com o estresse e ansiedade, os pesquisadores recrutaram algumas famílias para fazerem um estudo prospectivo. O estudo contou com quase 5000 crianças nascidas entre 1998 e 2000 em 20 cidades americanas. Por meio de questionários com a família e/ou cuidadores das crianças, os pesquisadores concluíram que a depressão pós-parto e a depressão materna mais tardia na infância estão associadas ao aumento e persistência da DA, além do aumento da asma e/ou dos distúrbios do sono. Ainda são necessárias pesquisas complementares para confirmar as associações dos estudos, para que seja possível determinar os mecanismos envolvidos na depressão materna e DA infantil. Com isso, será possível identificar as intervenções apropriadas para realizar a triagem precoce da depressão e identificar os bebês com o maior risco da doença. -

Fonte: Costner McKenzie, Jonathan I. Silverberg. Maternal Depression and Atopic Dermatitis in American Children and Adolescents. Dermatitis, 2020; 31 (1): 75 -
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