O que tem de errado nesse dermocosmético?


Vamos ser sinceros: quantas vezes você já leu os rótulos dos cremes e produtos que usa na sua pele? Pois é, muitas vezes as pessoas recorrem aos dermocosméticos sem sequer consultar um dermatologista e, a princípio, não há grandes riscos nisso, já que, de fato, todos os ingredientes usados ​​em produtos cosméticos atendem a certos requisitos regulatórios.


Mas um estudo resolveu analisar diferentes rótulos de dermocosméticos e sua composição e constataram que deveríamos dar mais atenção aos produtos que deixamos em nossas peles e às maquiagens que usamos. Isso porque o uso de muitas substâncias é permitido dentro de certos limites, devido à sua toxicidade em concentrações mais altas, no entanto, a mesma substância pode ser encontrada em mais de um produto e pode derivar de fontes diferentes (“efeito aditivo”).


Eles ressaltam ainda que essa deve ser uma questão colocada em pauta principalmente porque a maquiagem, em particular, é frequentemente aplicada perto da mucosa e usada ​​por categorias mais sensíveis, como os adolescentes.


Vamos entender o que eles analisaram e como os ingredientes mais comuns nos dermocosméticos podem repercutir na nossa pele:


FRAGRÂNCIAS

Muitos produtos ganham personalidade por aquele cheirinho característico, né? Protetor solar com cheiro de praia, o cheirinho da latinha azul ou daquela marca de lingerie… Pois é, os ingredientes perfumados são amplamente difundidos em produtos cosméticos, mas muitos deles podem causar sensibilização, alergias e irritações na pele, principalmente para quem já tem uma pele sensível!

Segundo os pesquisadores, a fragrância mais comum identificada foi o limoneno (76,9%) que, juntamente com o citral (24,2%), é classificado como sensibilizador da pele (H317).

Além deles, muitos ingredientes de fragrâncias foram categorizados como alérgenos fracos; como um grande número de produtos contém uma mistura de fragrâncias, é mais provável que os consumidores sejam expostos a misturas de alérgenos.

Eles destacam ainda que misturas de fragrâncias têm uma potência aumentada na sensibilização e desencadeamento da alergia de contato em comparação com um alérgeno de fragrância isolado.

O ponto ao qual os pesquisadores desejam esclarecer, associado ao fato de que pode haver mistura de mais de uma substância, é que uma mesma pessoa faz uso de mais de um produto na sua rotina de skincare e que a exposição contínua a uma mistura desses produtos químicos por longos períodos pode ter consequências para a saúde e o bem-estar das pessoas e da sociedade.


PARABENO

Os parabenos são usados como conservantes, no entanto, são considerados como uma classe de desreguladores endócrinos, especialmente o propilparabeno e o butilparabeno.


Na pesquisa, os cientistas trazem dados de outros estudos que observaram que os parabenos foram capazes de imitar quimicamente a atividade estrogênica, levando a resultados adversos à saúde. Além disso, os parabenos podem desempenhar um papel no desenvolvimento do câncer de mama, ovário e testículos em humanos.


Por esses motivos, muitos países proibiram o uso de alguns parabenos em produtos de cuidados pessoais destinados a recém-nascidos e crianças.


FORMALDEÍDO

Os liberadores de formaldeído são fontes importantes de dermatite alérgica de contato. Eles são capazes de causar reações de hipersensibilidade e, além disso, já há algum tempo, o formaldeído é considerado cancerígeno para seres humanos, Mesmo que as concentrações desses tipos de conservantes adicionados aos cosméticos sejam muito baixas, eles ainda estão presentes em um grande número de produtos cujo uso ocorre com frequência e diariamente.


Agora que você já chegou até aqui, é melhor conferir os rótulos dos seus produtos e sempre consultar um dermatologista antes de escolher uma combinação perfeita para sua rotina de cuidados com a pele, finalmente, assim como sofrer com efeitos indesejados da combinação de substâncias que princípio, são inofensivas.


Fonte: Panico, A et al. “Skin safety and health prevention: an overview of chemicals in cosmetic products.” Journal of preventive medicine and hygiene vol. 60,1 E50-E57. 29 Mar. 2019, doi:10.15167/2421-4248/jpmh2019.60.1.1080

29 visualizações0 comentário