Dermatite e oleosidade natural da pele. O que uma tem a ver com a outra?


O QUE É DERMATITE

A dermatite atópica nada mais é do que uma alergia não contagiosa. Segundo a SBD, esse problema crônico atinge 7% da população adulta e 25% das crianças do nosso país.


Já outra pesquisa internacional, aponta que em todo o mundo, 2 a 5% dos adultos e cerca de 15% das crianças sofrem de sintomas como pele seca, inflamada e muito pruriginosa (coceira), com feridas abertas.


COMO IDENTIFICAR A DERMATITE

Os sintomas são parecidos com o de uma alergia, mas além da coceira, surge o ressecamento e erupções e crostas.


Nas crianças, as lesões geralmente aparecem depois dos 6 meses de idade. A dermatite atópica atinge as bochechas, que ficam vermelhas e descascando, e partes dos joelhos e cotovelos.


Além disso, é importante ficar de olho também no que pode desencadear uma crise.


É comum que pessoas com dermatite atópica tenham os sintomas desencadeados ao ter contato com materiais ásperos, poeira, detergentes, produtos de limpeza em geral, roupas de lã e tecido sintético. Temperaturas extremas ou mudanças bruscas, infecções, alguns alimentos e estresse são outros gatilhos para as crises alérgicas.


O QUE A PESQUISA DIZ SOBRE GORDURA DA PELE X DERMATITES


Agora vamos às novidades: apesar de existirem diversos tratamento para o problema, pouco se sabe sobre o que realmente o causa.


No entanto, um novo estudo de pesquisadores da Universidade Binghamton, Universidade Estadual de Nova York pode ajudar a elucidar por quê a dermatite atópica realmente acontece.


Para isso, eles analisaram dois aspectos da doença que geralmente não são associados em pesquisar: diminuição do nível de óleos e o aumento de bactérias estafilocócicas na pele.


Os pesquisadores explicam que:


Um resultado da dermatite atópica é um nível reduzido de óleos da pele, conhecidos como lipídios, particularmente um grupo chamado ceramidas. Os lipídios na superfície da pele funcionam para regular a hidratação e também ajudam a defender a pele dos invasores, indiretamente por meio de sinalização imunológica ou diretamente por meio de sua atividade antimicrobiana inerente.


Outro resultado do eczema é um aumento de bactérias estafilocócicas na pele, o que pode causar irritação e infecção.


Mas o ponto chave da pesquisa é a constatação de que em condições normais e saudáveis, as bactérias não penetram na barreira da pele. Em condições de dermatite atópica ou em níveis lipídicos consistentes com a dermatite atópica, ocorre. Ou seja, independente de se tratar de uma condição genética ou ser resultado de fatores ambientais, a quantidade e a qualidade dos óleos da pele parece estar diretamente relacionada com o problema que incomoda muita gente mundo afora.


Claro que essa ainda não é uma pesquisa conclusiva. Na verdade, ela levanta muitas outras questões que precisarão ser avaliadas, mas, enquanto isso, esse vislumbre de descoberta abre portas para que novos tratamentos e prevenções sejam pensadas! Precisamos manter a hidratação da pele e ter cuidado com o quanto retiramos dos óleos da pele, prestando atenção aos sabonetes que usamos, a frequência, a intensidade, a quantidade e por aí. Um dermatologista pode te orientar com relação a esses cuidados e, quem sabe, prevenir algumas crises de dermatite.


Fontes: Zachary W. Lipsky et al, Lipid depletion enables permeation of Staphylococcus aureus bacteria through human stratum corneum, Tissue Barriers (2020). DOI: 10.1080/21688370.2020.1754706


Revista Saúde

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